domingo, 28 de junho de 2009

Resumo de artigo: Lazer, Esporte, Jogo e Trabalho: uma relação com a deficiência

Admilson Santos, Gilmar Mercês de Jesus, João Danilo de Oliveira Batista, Luiz Alexandre O. Da Rocha, Sandra Regina Rosa Farias. Lazer, Esporte, Jogo e Trabalho: uma relação com a deficiência.

Texto: Dagmar Filho - Aluno do 6º período do Curso de Educação Física da UFVJM

Em relação ao trabalho, no entender de Claparéde (1958), a melhor maneira de dar a tarefa escolar uma razão de ser imediata aos olhos da criança, de ligá-lo um sistema de interesses que lhe confiram todo seu valor e suscitem a quantidade de energia necessária para que a criança se dedique inteiramente, é envolvê-la numa atmosfera de jogo.

A principal diferença entre o jogo e o trabalho, para Makarenko (1981), é que, enquanto o trabalho traduz a participação do homem na procura social, na criação de valores materiais ou culturais, isto é, sociais, o jogo não procura objetivos dessa natureza, bem como não tem relação direta com objetivos sociais, mas vincula-se a eles de forma indireta através da cultura.

Segundo Durmazedier (2001), o jogo tornou-se uma exigência da cultura popular, nascida do lazer, determinante nas mudanças profundas da cultura tradicional e de vanguarda. Para Milton Santos (2000), essas mudanças do ponto de vista cultural são frutos da nossa era globalizada, na qual tudo se confunde e, com isso, a palavra e o fenômeno lazer têm significações que se misturam, ora as pessoas podem distrair-se como podem ser distraídos.

Em relação ao lazer, Dumazedier (2001), define como um conjunto de ocupações as quais o individuo pode entregar-se de livre vontade no repouso, na diversão e entretenimento ou ainda para ampliação de sua formação e informação de maneira desprendida após livra-se das obrigações profissionais, familiares e sociais.

Na função de descanso, o lazer funciona como restaurador de danos físicos e nervosos provocados pelas tensões do cotidiano particularmente do trabalho. A seguida função está diretamente ligada á procura de uma vida de meditação, de equilibro e de escape por meio de divertimento. Já a terceira função possui uma grande importância para o incremento da cultura popular e utilizam diversas fontes de informação, imprensa, filme, rádio, televisão, podendo criar novas formas de aprendizagem.

Ver filmes, assistir a s partidas de futebol, ouvir radio e outras formas de lazer são, para Russell (2002), prazeres das populações urbanas, que se tornaram essencialmente passivas. Este fenômeno ocorre pela falta de lazer e pelo excesso de trabalho que absorve as energias da população proporcionando, assim, mais lazer ás pessoas portadoras de deficiência ou então elas não participariam e desfrutariam mais ativamente dos prazeres.

É interessante mencionar a postura de Milton Santos (2002) em relação aos jornais, rádios, televisão, enfim, á imprensa, pois, em sua visão crítica, entende que, através da tirania da mídia, a informação passa a ser ministrada como propaganda, manipulando imagens do mundo e das pessoas. E essa manipulação, no nosso entendimento, não, é favorável aos portadores de deficiência nem á humanidade por facilitar a competição desfavorável entre o forte e o fraco.

Ao estudarmos mais especificamente como se dá a construção cultural lúdica da pessoa com deficiência, é importante que nos preocupemos e repensemos o compromisso social do profissional de Educação Física em relação ao lazer perante esses sujeitos. O nosso compromisso intensifica-se diante dos fatos históricos, pois a sociedade brasileira é um reflexo da comunidade global. E, com isso, tem recorrido cada vez mais para a exacerbação da competição em nome do mercado, contribuindo com a exclusão de vários grupos, principalmente os portadores de deficiência que, além de não participarem da competição de mercado, são impedidos de exercerem um de seus direitos: o lazer.

Esse impedimento é um reflexo da grane exigência da sociedade em relação às pessoas com deficiência que, a cada dia, enfrentam inúmeras barreiras sociais e arquitetônicas, que dificultam seu acesso ao trabalho, educação e ao lazer. Na condição de educadores, devemos aproveitar a presença das pessoas com deficiência no espaço escolar para fortalecer a atuação da família junto a essas pessoas e procurar educá-las para e pelo lazer.

Aprovada por aclamação, na cidade de Salamanca, Espanha, no dia 10 de junho de 1994, a Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais: Acesso e Qualidade, conhecida como Declaração de Salamanca, na sua linha de ação, contemplam o lazer das Pessoas com Deficiência no Item II, Diretrizes de Ação no Plano Nacional, Art. 17, sugerindo aos países que “Deve ser adotadas medidas legislativas paralelas e complementares em saúde, lazer, formação profissional e trabalho”.

Sem uma compatibilidade entre lazer e trabalho, o indivíduo fica privado de inúmeras oportunidades, como desfrutar de momentos felizes e prazerosos e, por isso, não vê motivos nem se sente prestigiado para a continuidade do trabalho. Para Russell (2002), não devemos insistir para que a maioria da população tenha excesso de trabalho, pois, no seu entendimento não há mais necessidade. Ele ressalta que, sem uma acumulação apropriada de horas de lazer, a pessoa deficiente ou não deficiente fica privada de muitas coisas boas.

A inclusão dessas pessoas as coisas boas baseia-se na reestruturação orgânica da sociedade, todos precisam estar juntos, para que possam buscar e realizar tudo: estudar, trabalhar, reabilitar-se, dentre outras tarefas. Segundo Sassaki (2004),a inclusão é diferente da integração , não exige que o ônus da participação recaia apenas nas pessoas com deficiência, e sim que ela seja dividida com toda a sociedade.

Este discurso está ancorado na política de Inclusão Social que vivemos neste momento em nossa sociedade. Com essa política, as classes marginalizadas da sociedade, principalmente da educação, desejam ter acesso a todos os locais para, juntos reabilitar-se estudar, praticar atividades físicas, esportivas e de lazer.

Segundo Carmo (1991), as Pessoas com Deficiência precisam participar de práticas motoras, esportivas e de lazer tanto quanto as pessoas consideradas normais. Neste contexto, a Educação Física não pode excluir essas pessoas dos conhecimentos que fazem parte de uma produção histórico-cultural por serem contribuintes desta construção. Esse modelo quebra a utopia de uma sociedade sustentada nos paradigmas da igualdade universal e começa a discutir uma sociedade fundamentada nas diferenças e na desigualdade.

Análise Crítica

È interessante deixar a criança trabalhar as tarefas escolares com a quantidade de energia necessária para que os alunos possam dedicar inteiramente no clima do jogo. Deixá-las conviver com a ludicidade porque a vida dever ser vivida como jogo, sempre em movimento.

Não podemos deixar de lado as pessoas com deficiência, tanto elas como as pessoas ditas “normais” tem o direito e o dever de ter lazer. A sociedade brasileira tem como cultura de competição, assim elas são impedidas de exercerem um de seus direitos o lazer.

As pessoas com deficiência enfrentam inúmeras barreias tanto nos calçamentos ou em entradas em locais arquitetônicos.

Nos educadores devemos aproveitar a presença de pessoas com deficiência nas escolas, para procurar soluções juntos com a família formas de lazer.

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